Tempos irrequietos
Todos gostam da Lua. Claro, mas Sandra é a mulher dela...
Sekmadienis, Liepos 23
Trečiadienis, Gegužės 31
Antradienis, Gegužės 30
Pirmadienis, Gegužės 29
Penktadienis, Gegužės 26
Trečiadienis, Gegužės 24
Šeštadienis, Vasario 12
Ode IV
Fermosa fera humana,
Em cujo coração, soberbo e rudo
A força soberana
Do vingativo Amor, que vence tudo,
As pontas amoladas
De quantas setas tinha, tem quebradas;
Amada Circe minha
(Posto que minha não, contudo amada),
A quem um bem que tinha
Da doce liberdade desejada
Pouco a pouco entreguei,
E, se mais tenho, inda entregarei:
Pois natureza irosa
Da razão te deu partes tão contrárias
Que, sendo tão fermosa,
Folgues de te queimar em flamas várias,
Sem arder em nenhũa
Mais que enquanto alumia o Mundo a Lua;
Pois triunfando vás
Com diversos despojos de perdidos,
Que tu privando estás
De razão, de juízo e de sentidos,
E quase a todos dando
Aquele bem que a todos vás negando;
Pois tanto te contenta
Ver o nocturno moço em ferro envolto,
Debaixo da tormenta
De Júpiter, em água e vento solto,
À porta que impedido
Lhe tem seu bem, de mágoa adormecido;
Porque não tens receio
Que tantas insolências e esquivanças
A Deusa que põe freio
A soberbas e doudas esperanças
Castigue com rigor,
E contra si se acenda o fero Amor?
Olha a fermosa Flora;(1)
De despojos de mil suspiros rica,
Pelo Capitão chora
Que lá em Tessália, enfim, vencido fica,
E foi sublime tanto
Que altares lhe deu Roma e nome santo.
Olha em Lesbo aquela(2)
No seu salteiro insigne conhecida:
Dos muitos que por ela
Se perderam, perdeu a cara vida
Na rocha que se inflama
Com ser remédio extremo de quem ama.
Pelo moço escolhido,
Onde mais se mostravam as três Graças;
Que Vénus escondido
Pera si teve um tempo antre as alfaças,
Pagou co'a morte fria
A má vida que a muitos já daria.
E, vendo-se deixada
Daquele por quem tantos já deixara,
Se foi, desesperada,
Precipitar da infame rocha cara;
Que o mal de mal querida
Sabe que vida lhe é perder a vida.
– Tomai-me, bravos mares;
Tomai-me vós, pois outrem me deixou! –
E assim dos altos ares
Pendendo, com furor se arremessou.
Acude tu, suave,
Acude, poderosa e divina ave!(3)
Toma nas asas tuas,
Menino pio, ilesa e sem perigo,
Antes que, nessas cruas
Águas caindo, apague o fogo antigo.
É digno amor tamanho
De viver, e ser tido por estranho.(4)
– Não; que é razão que seja
Para as lobas isentas, que amor vendem,
Exemplo onde se veja
Que também ficam presas as que prendem.
Assim o deu por sentença
Némesis, que Amor quis que tudo vença.
Luis de Camoes







